Entendendo a coesão referencial

Para entender o que é coesão textual é preciso entender a construção do texto e a vertente que o analisa. O texto é produzido através de conhecimento, tal conhecimento vindo de determinado indivíduo que procura trazer certo tipo de comunicação, podendo abordar a mesma de diferentes maneiras de acordo com a temática proposta. Todo texto tem sua estrutura, geralmente composta por introdução, desenvolvimento e conclusão.


A COESÃO TEXTUAL:

A Coesão textual é a ligação de termos (palavras) que trazem sentido ao texto,transformando-o em um texto harmônico, onde há entendimento e compreensão do que se produziu. Em seu livro “​A Coesão Textual ​ ”, Koch cita a seguinte frase “​Um texto não é apenas uma soma ou sequência de frases isoladas. ​ ” ​Baseado nessa frase conseguimos entender o significado de coesão textual, o motivo pelo qual o texto não é considerado apenas uma estrutura solta, é por conta da conexão de uma palavra à uma frase, que sucessivamente, se conecta a outra formando então um texto comunicativo onde ambas as partes conseguem interpretar aquilo que é dito, e por meio deste realizar uma análise textual completa. O sentido que as palavras conectivas trazem para o texto faz com que o mesmo seja um todo interligado, ou seja, qualquer distorção na estrutura que altere a coesão do mesmo será considerada significativa para o entendimento do leitor.
 Marcuschi (1983) define os fatores de coesão como ​“aqueles que dão conta da estruturação da sequência superficial do texto”, ​ afirmando que não se trata de princípios meramente sintáticos, mas de ​“uma espécie de semântica textual”, ​ isto é, dos mecanismos formas da língua que permitem estabelecer, entre os elementos linguísticos do texto, relações de sentido.


Existem dentro da coesão textual a coesão referencial que trabalha a substituição e a reiteração, a coesão recorrencial que trabalha a ênfase textual e por último a coesão sequencial que trabalha a sequência sem o perigo da repetição.
Halliday & Hassan citam como principais fatores de coesão:

 Substituição – substituição por um nome (pessoa, objeto, lugar etc.), verbos,  períodos ou trechos do texto por uma palavra ou expressão que tenha sentido próximo, evitando repetição.

 Elipse – neste tipo de coesão, um elemento do texto é retirado e evita repetição sem que se altere o sentido da oração.

 Conjunção – possibilita relações entre termos do texto através do emprego adequado de conjunções. 

Coesão lexical – a coesão lexical é obtida por meio de dois mecanismos: a reiteração e a colocação. A reiteração se faz por meio da repetição do mesmo item lexical ou através de sinônimos, hiperônimos e nomes genéricos.

Vamos entrar mais detalhadamente na coesão por referência:

Coesão referencial, de acordo com Koch (1989), é aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro(s) elemento(s) do universo textual. A noção de elemento de referência é, neste sentido, bastante ampla, podendo ser representado por um nome, um sintagma, um fragmento de oração, uma oração ou todo um enunciado. O referente representado por um nome ou sintagma nominal (SN) vai incorporando traços que vão lhe sendo agregados à medida que o texto se desenvolve;  ou seja, como diz Blanche – Benveniste (1984), o referente se constrói no desenrolar       do texto, modificando-se a cada novo “nome”. Isto é, o referente é algo que se  (re)constrói textualmente.
 Além disso, cabe lembrar que, de acordo com Kallmeyer et al (1934), a reação entre a forma remissiva e o elemento de referência, mas também entre os contextos que envolvem ambos. A remissão pode ser feita para trás e para frente, constituindo-se uma anáfora ou uma catáfora. Vejam-se os exemplos:

 1. O homenzinho subiu correndo os três lances de escadas. Lá em cima, ​ele ​ parou diante de uma porta e bateu furiosamente. (Anáfora)
 2. ​Ele​ era tão bom, ​o meu marido! (Catáfora)

Agora um levantamento das principais  formas referenciais em português de acordo com a classificação de Kallmeyer et al. em a) formas ​remissivas referenciais ​ e não-referenciais; b) ​presas e livres. 
As formas não-referenciais não fornecem ao leitor/ouvinte quaisquer instruções de sentido, mas apenas instruções de conexão (por ex. concordância de gênero e número) e podem ser presas ou livres.
As formas remissivas não-referenciais presas são as que acompanham um nome,antecedendo-o e também ao (s) modificador(es) anteposto (s) ao nome dentro do grupo nominal. Exercem, portanto, a função de “artigo”, o que leva os autores a ampliarem a noção de ​artigo ​ para abranger essas formas, que correspondem, em ​linhas ​ gerais, aos determinantes da gramática estrutural e gerativa. Seriam, os termos de nossas gramáticas tradicionais, os artigos​, ​ os ​pronomes adjetivos(demonstrativos,possessivos, indefinidos, interrogativos) e os ​numerais cardinais e ordinais ​ quando acompanhados de nomes, além dos pronomes pessoais de 1a e 2a pessoas (eu, tu, nós, vós, vocês), que se prendem a elementos situacionais.
São formas ​não-referenciais livres ​ os pronomes pessoais de 3a pessoa (ele, ela,eles, elas) e os pronomes substantivos em geral (demonstrativos, possessivos etc.) que têm função pronominal propriamente dita, bem como advérbios pronominais do tipo ​lá,aí, ali, acima, etc.
As ​formas remissivas referenciais ​ seriam, por exemplo, grupos nominais definidos que, além de fornecerem, em grande número de casos, instruções de concordância, contêm, instruções de sentido (referenciais). Veja-se o exemplo:
    O avô da criança atropelada encontrava-se em estado lastimável! ​O velho  chorava desesperado, sem saber que providências tomar.
Creio que se poderiam enquadrar aqui os ​sinônimos, hiperônimos, nomes genéricos etc., quando fazem remissão a outros referentes textuais.

OUTROS EXEMPLOS DE COESÃO POR REFERÊNCIA:


       Sara saiu essa manhã de casa. Ela foi trabalhar na loja e mais tarde foi ao curso de dança.
  De acordo com o exemplo, o termo "ela" retoma o sujeito "Sara", evitando assim, a repetição desnecessária.
Anáfora
     "De uma coisa tenho certeza: essa narrativa mexerá com uma coisa delicada: a criação de uma           pessoa inteira que na certa está tão viva quanto eu. Cuidai dela porque meu poder é só mostrá-         la para que vós a reconheçais na rua, andando de leve por causa da esvoaçada magreza."
Os termos destacados retomam o referente que foi citado anteriormente no texto: "pessoa inteira".
Catáfora      
     "Há três coisas que não podem ser escondidas por muito tempo: o sol, a lua e a verdade". (Buda)
No exemplo acima, o correferente antecede o referente por meio da expressão "três coisas".
  Elipse
      "Eu canto porque o instante existe
       e a minha vida está completa.
       Não sou alegre nem sou triste:
      sou poeta."
      (Trecho do poema Motivo de Cecília Meireles)
No exemplo acima temos a omissão do pronome “Eu” na terceira linha do poema: (Eu) Não sou alegre nem sou triste.

Reiteração
Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsável por todos.”

No texto acima, a reiteração ocorre na repetição das palavras "cada um".


CONCEITOS DA TRADUÇÃO :

Segundo Taber e Nilda & Dubais (1972) a tradução consiste em reproduzir na língua receptora a mensagem da língua fonte por meio do equivalente mais próximo e mais natural, primeiramente no que diz respeito ao estilo; estes autores defendem que a tradução deve ter o mesmo efeito que produziu no leitor para o qual o texto original foi feito.
Para Arrojo (1986) a tradução é uma produtora de significados e não meramente a defensora de significados. Para a autora, traduzir é levar o leitor a construir significados do texto e não somente fazer com que ele retire significados já
interpretados pelo tradutor anteriormente.


 A TRADUÇÃO E COESÃO REFERENCIAL  :

Hatim e Mason (1990), argumentam que a sequência de relações de coerência –  tais como ​causa ​ e ​efeito, problema ​ e ​solução, ​ etc. – devem permanecer constante durante a transferência do texto original para o tema traduzido, mas ressaltam que a forma como essa coerência subjacente se reflete no texto superficial – a coesão – tendem a seguir as especificidades da língua ou do texto. Ou seja; os elementos coesivos podem ser alterados devido às características da língua-alvo, mas a coerência        tem que ser mantida.  Segundo autores, um texto “faz sentido” porque existe continuidade de sentidos entre o conhecimento ativado por suas expressões.


PARA ENTENDER MAIS:


https://www.youtube.com/watch?v=7eR7mZFDeBA

https://www.youtube.com/watch?v=ddZPDcOJsSg





xoxo, garota de letras.


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